Morar fora: sinônimo de lição de vida

O orkut é o paraíso das filosofias de banca de jornal, da poesia reinventada, pois nunca Clarice Lispector, Manuel Bandeira e Drummond foram autores de tantas produções, tudo o que é mais poético, é de um, ou de outro…

Para alguns é sinônimo de exposição exagerada, de perigo, eu não concordo, acho que com o tempo, com as ferramentas de moderação, o site de relacionamento alcançou seu principal objetivo: reunir gente conhecida que estava distante, entre outras funcionalidades…

E vira e mexe eu me deparo com ótimos textos, às vezes sem fonte, fico até me indagando, será que esta pessoa escreveu isso? Que bacana! Que belas palavras! Vale a pena ser passado para frente. E aí vai um texto ótimo que fala sobre as lições que alguém aprendeu ao morar fora, você que já morou vai se identificar! É mais um texto grandinho, mas é tão interessante, quanto grande.

mundo

MORAR FORA não é apenas aprender uma nova língua. Não é apenas caminhar por ruas diferentes ou conhecer pessoas e culturas diversificadas. Não é apenas o valor do dinheiro que muda. Não é apenas trabalhar em algo que você nunca faria no seu país. Não é apenas ter a possibilidade de ganhar muito mais dinheiro do que ganhava.

Não é apenas conquistar um diploma ou fazer um curso diferente. Morar fora não é só fazer amigos novos e colecionar fotos diferentes. Não é apenas ter horários malucos e ver sua rotina se transformar diariamente. Não é apenas aprender a se virar, lavar, passar, cozinhar. Não é apenas comer comidas diferentes, pagar suas contas no vencimento, se matar para pagar o aluguel. Não é apenas não ter que dar satisfações e ser dono do seu nariz.

Não é apenas amar o novo, as mudanças e também sentir saudades de pessoas queridas e algumas coisas do seu país. Não é apenas levantar da cama em um segundo quando chega encomenda do Brasil. Não é apenas já saber que é alguém do Brasil ligando quando toca seu celular sempre no mesmo horário. Não é apenas a distância. Não são apenas as novidades. Não é apenas uma nova vista ao abrir a janela.

Morar fora é se conhecer muito mais. É amadurecer e ver um mundo de possibilidades a sua frente. É ver que é possivel sim, fazer tudo aquilo que você sempre sonhou e que parecia tão surreal. É perceber que o mundo está na sua cara e você pode sim, conhece-lo inteiro. É ver seus objetivos mudarem. É mudar de idéia. É colocar em prática. É ter que mudar sua cabeça todos os dias. É deixar de lado as coisas pequenas. É saber tampar o seu ouvido. É se valorizar. É ver sua mente se abrir muito mais, em todos os momentos. É se ver aberto para a vida. É não ter medo de arriscar. É colocar toda a sua fé em prática. É ter fé. É aceitar desafios constantes.

É se sentir na Terra do Nunca e não querer voltar. É querer voltar e não conseguir se imaginar no mesmo lugar. Morar em outros países é se surpreender com você mesmo. É se descobrir e notar que na verdade, você não conhecia a fundo algo que sempre achou que conhecia muito bem: VOCÊ MESMO!!!!

Fonte: orkut

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O mundo está ao contrário… E ninguém reparou!

O ótimo texto abaixo, de Fabio Danesi Rossi, foi publicado numa edição da Bravo de 2006. Fabio conta em seu blog que o Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas usou o artigo como base para a prova de língua portuguesa. É uma boa razão para postá-lo por aqui.

A Eternidade no Orkut

“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir”, escreveu o Paulo Francis num passado (não) muito distante. Já num presente exageradamente próximo, há quem possa dizer: “Gosto que vejam minhas fotos de biquíni, que leiam minhas conversas particulares e que saibam minhas preferências culinárias e sexuais. Ter uma página no Orkut é uma forma de existir”.

Pois é, meus caros, caríssimos amigos. Lembram da expressão “minha vida é um livro aberto”? Não passa de objeto de arqueologia lingüística. Hoje, a vida é uma página aberta do Orkut. E pelo andar da carruagem (ou do trem de levitação magnética, para sermos mais modernos), em breve a intimidade deixará de ser uma coisa, digamos assim, íntima. “Tenho que conversar com você, minha querida, mas não sei se aqui é o lugar ideal. Estamos só nós dois.”

Nada disso me espanta ou incomoda. Tenho lá meu lado voyeur e o meu lado exibicionista – ambos, ainda bem, devidamente confinados dentro de estreitos limites saudáveis (um pouquinho mais estreitos que o Marco Maciel, para sermos mais exatos). O que me espanta e incomoda é que não só a vida é uma página aberta do Orkut, mas a morte também. Com o Orkut, o sujeito não tem mais direito ao descanso eterno – fica lá sorrindo para sempre no álbum de retrato, em cima de legendas como “eu zuando com o óculos da Patty, iláááááriio, huahuahua!!!”. É terrível.

Mas o pior talvez sejam os “scraps”, ou recados públicos que as pessoas deixam umas para as outras. Basta bater as botas para se receber uma enxurrada deles. É como se o morto pudesse ler, como se ele não estivesse realmente morto… “Muitas saudades, meu amor”. “Fique bem onde quer que você esteja”. “Até logo” (é verdade, juro que uma vez vi um “até logo”). Sem falar dos desavisados que aparecem no meio: “E aí, beleza? Ainda tá na facu? Dê um sinal de vida. Abs!”.

Até que de repente, não mais que de repente, a página de recados começa a ser soterrada por spams, esses vermes virtuais, e as mensagens de dor e saudade desaparecem sob o peso diabólico de propagandas do LIVERJOYCE (assim mesmo, em maiúsculas – “VC EMAGRECE DORMINDO”) e da Festa da Ressaca no Tupana Café (antigo Guaricanga de Albuquerque, como eles fazem questão de deixar claro).

Terrível, terrível. Vários amigos meus já me deram suas senhas, implorando: “Olha, se eu morrer, você entra lá e apaga tudo. TUDO! Não deixa aquela página lá!”. É estranho ter o poder de vida e morte sobre as pessoas no Orkut – talvez nem Deus himself tenha esse poder. Na primeira vez que me deram uma senha, eu perguntei: “Se você morrer, que importa aquela página? Você vai estar morto! Como você pode se preocupar com uma coisa dessas?”. Meu amigo balançou a cabeça negativamente, como se eu não entendesse nada de nada, e respondeu: “E se eu ficar preso lá dentro, hein? Já pensou nisso? Passar a eternidade no Orkut? Vagando eternamente pelas comunidades “Eu odeio a Gabriela Duarte” e “Tenho Mania de Limpeza Como a Monica do Friends”? Hein, hein? Mil vezes o inferno!”. Tive que concordar com ele. Ficar preso no Orkut deve ser pior do que ficar preso na Zona Fantasma, aquele espelho que viaja pelo espaço carregando os vilões mais cruéis do planeta do Super-Homem (uma espécie de Bangu III no formato do Marco Maciel – me perdoem, não sei por que estou com o Marco Maciel na cabeça).

Mas se meus amigos morrerem antes de mim (o que não desejo, embora sem muita convicção), vou mesmo é responder cada um dos “scraps” como se eu fosse o morto: “Agora você está com saudades, né, sua vadia!”. Ou: “Paraíso tem acento, ô animal.” Ou ainda: “Não se preocupe. Em breve você estará por aqui também. Muito, mas muito mais em breve do que você imagina”.