Gira, gira il mondo…

Andar por qualquer cidade prestando atenção pode ser uma aula ao vivo de história, mas caminhar por São Paulo é ainda mais fascinante, esta cidade sem rosto, sem língua, sem identidade definida é um pouquinho de cada pedaço deste mundo a fora. Caminhar pela Liberdade é chegar mais perto da cultura oriental, algumas ruelas do entorno da 25 de março resgatam a cultura libanesa, o Bixiga e a Mooca trazem para perto o charme caótico de regiões italianas como a Calábria e a Sicília…

Higienópolis é um pedacinho de Israel, tem muitas sinagogas e estabelecimentos em que a cultura judaica é muito forte, a Estação da Luz com sua arquitetura inglesa nos permite irmos a Londres sem tirar os pés do chão paulistano. Poderíamos ficar horas a fio aqui, dizendo como é impressionante a semelhança entre a Paulista e a Quinta Avenida em Nova Iorque, ou a Oscar Freire e a Champs Elysèe (guardadas as devidas proporções…).

Mas, toda esta contextualização, bastante saudosista, além de homenagear esta cidade intrigante, cheia de problemas, mas muito especial, porque só São Paulo tem restaurantes de quase todas as nacionalidades do mundo, tem as melhores casas de show, é a capital financeira e industrial do Brasil, além de ser muito rica histórica e culturalmente falando. Um exemplo disto é que hoje, em um passeio informal pelo centro conheci um café muito charmoso e veramente italiano “Giramondo Caffè”.  Assim, no meinho desta cidade fascinante pude praticar meu italiano com um senhor romano que há muito vive no Brasil e com a proprietária do cafezinho, uma paraibana, casada com italiano que fala o idioma perfeitamente. Uma cena curta, rapidíssima, mas bonita de se viver em terra brasileira, com tamanha veracidade,  com sabor de Brasil, porém com cara de Itália e com cara de São Paulo.

Vale a pena visitar a site do Café, clean, mas cuidadosamente pensado, assim como o lugar que não fica devendo nada aos estabelecimentos romanos ou fiorentinos, vide o cardápio. E se der dê um pulinho na Rua Marconi, 19. Só os quadros e a decoração já valem a pena, o que dizer do café e dos paninis…

Arrivederci!

 

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Você sabia? A história da Melitta surgiu com uma curiosa dona de casa

A multinacional Melitta começou num quartinho do Leste alemão, no início do século 20. Hoje tem fábricas em 14 países e sua linha de produtos vai muito além de coadores de papel para café.

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Foram precisos 300 anos de degustação do café na Europa para que uma dona de casa de Dresden chegasse a uma idéia tão simples quanto genial, e que revolucionaria a preparação da aromática bebida em todo o mundo.

Era o ano de 1908 e Melitta Benz fazia café. Como ditava a prática da época, o pó era escaldado e precisava descansar, até poder ser servido. A borra, que mesmo assim ficava no fundo da xícara, incomodava tanto a Sra. Benz, que a inspirou a uma invenção.

Com martelo e prego, ela fez furos numa panela cilíndrica de latão, forrou o fundo com um círculo de papel mata-borrão, tirado do caderno de seu filho mais velho. Pó de café, água fervente por cima, e estava criado o primeiro filtro Melitta.

A partir daqui há duas versões da história: numa, a diligente senhora patenteia a invenção e funda sua firma num pequeno quarto. Na outra, o Sr. Benz – que aliás haveria dado a faísca primeira à invenção, reclamando do café da esposa – é quem assume o aperfeiçoamento do produto e a criação da empresa. Seja como for, hoje a Melitta é administrada por três netos da criativa dona de casa.

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Um coador muda o mundo
A invenção evoluiu e conquistou o mundo: em 1925 adotou-se a típica embalagem vermelha e verde, que em 1929 já era exportada. Em 1932,  utilizam folhas de papel quadradas, em conjunção com o suporte cônico. Cinco anos mais tarde, o corpo dos filtros toma a forma de “V”, com os coadores correspondentes. Assim, o aroma podia expandir-se, sem a liberação excessiva de substâncias amargas. E – argumento importantíssimo na época – assim se economizava o precioso pó negro.

No Brasil
Os miraculosos saquinhos de papel chegaram ao país em 1968. Em 2003, ao completar 25 anos, a Melitta do Brasil dominava 53% do mercado nacional de filtros de café. Com boas possibilidades de expansão, uma vez que 40% da população brasileira ainda utiliza os menos higiênicos coadores de pano.

E pensar que tudo começou com alguém incomodado com a borra do café!

Créditos: Deutsch Welle e Blog Chucruteslandia